A regra ×200: quanto patrimônio sustenta a renda que você quer
Uma conta de uma linha para saber o tamanho do patrimônio por trás de cada renda mensal — e por que ela já embute a inflação.
Quase toda conversa de patrimônio começa com a pergunta errada: “onde eu invisto?”. A pergunta certa vem antes: qual renda mensal você quer que o patrimônio pague — e quanto patrimônio isso exige?
A regra ×200 responde a segunda parte em uma linha.
A conta
Patrimônio necessário = renda mensal desejada × 200
Quer R$ 15 mil por mês? Precisa de R$ 3 milhões trabalhando. Quer R$ 50 mil? R$ 10 milhões.
| Renda mensal desejada | Patrimônio necessário |
|---|---|
| R$ 10.000 | R$ 2.000.000 |
| R$ 15.000 | R$ 3.000.000 |
| R$ 20.000 | R$ 4.000.000 |
| R$ 30.000 | R$ 6.000.000 |
| R$ 50.000 | R$ 10.000.000 |
De onde vem o 200
O número não é mágico; é uma premissa de retirada. A régua assume que o patrimônio rende, em média, algo próximo de 1% ao mês — e que você retira só metade disso, 0,5% ao mês.
- 0,5% ao mês de R$ 3 milhões são R$ 15 mil. Essa é a renda.
- O outro 0,5% fica no patrimônio, repondo o que a inflação come. Esse é o motivo de a regra já embutir a inflação: quem retira metade do rendimento não precisa “deflacionar” a meta nem falar em “reais de hoje”. A conta é em valor nominal, e o poder de compra é preservado pela metade que fica.
Dividir 1 por 0,5% dá 200. Por isso o multiplicador.
Vale dizer com todas as letras: 1% ao mês é a premissa da régua, não uma promessa. É o que um patrimônio precisa entregar, líquido, para sustentar a retirada de 0,5% e ainda se repor. Construir ativos capazes disso — e saber quanto de cada um cabe no seu caso — é justamente o trabalho de arquitetura.
Como usar a régua em três passos
- Defina a renda. Não a de hoje: a que a família precisa para viver bem sem depender do trabalho ativo. Some tudo — moradia, escola, saúde, viagens, o que for.
- Multiplique por 200. Esse é o tamanho do seu “número”.
- Compare com o patrimônio que você tem hoje. A diferença é o intervalo. Ele se fecha com três coisas, e só três: aporte, retorno e tempo.
É aqui que o Diagnóstico Patrimonial começa. Com o número na mesa, a conversa deixa de ser “qual produto rende mais” e vira “quantos anos faltam na trajetória atual — e o que os Três Motores fazem com esse intervalo”.
O que a régua não faz
- Não substitui o plano. Ela dimensiona a meta; não diz em que ativos, em que ordem nem com que dívida.
- Não vale igual para todo patrimônio. Imóvel gera renda de um jeito, uma empresa de outro, crédito muda tudo. A régua é a porta de entrada; a arquitetura é o resto da casa.
- Não é teto. Muita família descobre, ao fazer a conta, que o número é menor do que imaginava — e que o intervalo, com método, cabe em 7 a 12 anos, não em 30.
Faça a sua conta. Se quiser, a gente faz junto.