Eleições 2026

Planos de governo 2026: como ler e comparar as candidaturas

O guia Planos na Mesa põe lado a lado, em 15 temas, o que cada candidatura a presidente registrou no TSE. Como usar o guia e como ler um plano.

Plano de governo se compara pelo que está escrito no documento entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tema a tema, com a página à mão para conferir. Foi para isso que a Menegon Family Office montou o guia Planos na Mesa: os 14 planos de governo entregues ao TSE pelas candidaturas a presidente, lado a lado, em 15 temas, com 1.603 trechos copiados palavra por palavra. Cada trecho traz a página do PDF, que abre exatamente ali.

Ler um plano com olhos de quem tem patrimônio é fazer quatro perguntas a cada trecho: ele descreve ou propõe? Tem número e prazo? De onde vem o dinheiro? Depende do Congresso?

O que é o Planos na Mesa

A lei eleitoral exige que toda candidatura a presidente entregue suas propostas junto com o pedido de registro (Lei 9.504/1997, art. 11). Esses documentos são públicos, no Portal de Dados Abertos do TSE. Baixamos os 14 em 21 de setembro de 2026: somam 864 páginas e vão de 7 a 200 páginas cada um.

O guia organiza esse material em 15 temas:

  • Economia, em sete recortes: Fiscal e Contas Públicas, Tributação, Câmbio e Comércio Exterior, Mercado de Trabalho e Renda, Inflação e Política Monetária, Papel do Estado e Privatizações, Infraestrutura e Investimento.
  • Mais oito temas: Educação, Segurança Pública, Saúde, Política Externa, Combate à Corrupção, Reforma Política e Justiça, Direitos e Bem-Estar, e Cultura, Esporte e Turismo.

Cada tema tem duas abas. No Diagnóstico ficam as afirmações do plano sobre o país de hoje; em Propostas, as medidas que ele se compromete a tomar.

A mesma régua para todas as candidaturas

  • Trecho literal, com página. O que está entre aspas saiu do plano com a grafia do PDF. Um programa confere cada trecho contra a página indicada, e uma segunda pessoa, que não fez a escolha, relê a página inteira para ver se o trecho, isolado, não muda de sentido.
  • Limites iguais por tema. Até 3 trechos de diagnóstico e até 5 propostas, com 1 ou 2 trechos cada. O trecho é contínuo, sem corte no meio.
  • Ordem alfabética. Em todas as telas, a ordem é a do nome de urna. Não há ordenação por intenção de voto.
  • “Não abordado” quando o plano é omisso. O silêncio é do documento: procuramos, e não há nada sobre aquele assunto ali dentro.
  • Nenhum comentário nosso. O único texto da Menegon dentro de um card é o título da proposta, que nomeia a medida sem julgá-la.
  • Registro com data. Na tela Quem são, cada candidatura aparece com a situação do registro no TSE e a data da consulta, porque ela pode mudar até a eleição. Na consulta de 21 de setembro de 2026, 12 registros estavam deferidos; um pedido tinha sido indeferido, e a substituição dessa chapa aguardava julgamento.

Como usar o guia em três passos

  1. Abra um tema. Na tela Temas, escolha no botão “Candidaturas” quais quer ver (todas ou só algumas) e depois o assunto. Economia se abre em sete recortes.
  2. Compare duas, frente a frente. Em Frente a frente, duas candidaturas aparecem lado a lado, no mesmo recorte.
  3. Confira na fonte. Clique na página indicada em qualquer trecho e o PDF abre nela. A tela Fontes lista os 14 planos, com título, número de páginas e o link para os dados abertos do TSE.

Como ler um plano de governo

Plano de governo não é contrato: é a declaração do que a candidatura pretende fazer. As quatro perguntas separam compromisso de intenção.

O trecho descreve ou propõe?

Diagnóstico é leitura da situação; proposta é compromisso de fazer. O guia separa os dois em abas porque concordar com um diagnóstico não diz nada sobre a medida que vem depois.

Tem número e prazo?

Uma meta com percentual e ano marcado é verificável. “Fortalecer”, “valorizar” e “modernizar”, sem número, prazo nem instrumento, são intenção. Na curadoria, trechos com meta, número, prazo, instrumento ou nome de programa vieram primeiro; quando um tema não traz nada disso, a ausência aparece.

De onde vem o dinheiro?

Toda medida que custa precisa de receita nova, corte de outro gasto ou mais dívida. Procure, no mesmo plano, os recortes Fiscal e Contas Públicas e Tributação e veja se a conta fecha. Uma proposta sem fonte declarada não é inviável por isso, mas deixa a pergunta aberta, e quem paga imposto tem interesse direto na resposta.

O que depende do Congresso?

O presidente propõe; boa parte das mudanças passa pelo Congresso. Criar ou aumentar tributo exige lei (Constituição, art. 150). A exceção são alguns impostos federais, como o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), cuja alíquota o Executivo pode mudar dentro dos limites da lei (art. 153).

Mudar a Constituição exige três quintos dos votos na Câmara e no Senado, em dois turnos em cada Casa (art. 60). E a medida provisória, que o presidente edita com força de lei, perde a validade se não for convertida em lei em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período (art. 62). Ao ler uma proposta, pergunte qual desses caminhos ela exige.

Os temas que costumam pesar no patrimônio

Um plano de governo trata das regras em que o patrimônio opera: impostos, juros, câmbio, contratos. Uma arquitetura patrimonial bem desenhada não depende de uma regra só, mas precisa saber quais estão em discussão. Com pouco tempo, comece por estes recortes:

Tema no guia O que procurar no texto
Tributação Renda, consumo, patrimônio e herança: alíquota, faixa e data
Fiscal e Contas Públicas Gasto, dívida e a conta da Previdência
Inflação e Política Monetária Banco Central, meta de inflação, juros e crédito
Câmbio e Comércio Exterior Dólar, tarifas e acordos comerciais
Papel do Estado e Privatizações Estatais, concessões e agências reguladoras
Infraestrutura e Investimento Energia, habitação, logística e agronegócio
Mercado de Trabalho e Renda Salário mínimo, emprego e o benefício da Previdência

A Previdência aparece em dois lugares: a conta do sistema fica em Fiscal e Contas Públicas; o benefício, visto como renda, em Mercado de Trabalho e Renda. Fora da Economia, Reforma Política e Justiça reúne o que os planos dizem sobre o Judiciário, onde se resolvem as disputas sobre contratos e bens.

Por que ler o original, e não o resumo

Resumo de terceiros é uma escolha: alguém decidiu o que entra, o que fica de fora e com que palavras. Um trecho cortado logo antes de um “desde que” ou de um “exceto” muda de sentido sem que nenhuma palavra seja falsa.

O guia foi montado para reduzir esse risco, com trecho contínuo, página citada e segunda leitura. Mas ele também é um recorte: no máximo 3 trechos de diagnóstico e 5 propostas por tema. Quando um assunto pesar para você, abra a página e leia o parágrafo inteiro.

Datas e neutralidade

Pelo calendário do TSE, o 1º turno é em 4 de outubro de 2026, com votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília. Onde houver 2º turno, a votação será em 25 de outubro de 2026. A posse do presidente eleito está marcada para 5 de janeiro de 2027.

A Menegon Family Office não apoia candidato nem partido. A lei proíbe site de empresa de veicular propaganda eleitoral, mesmo gratuita (Lei 9.504/1997, art. 57-C). Por isso o guia e a seção Eleições 2026 reproduzem o que os próprios planos dizem, com a fonte à vista, sem pesquisa, enquete, nota ou ranking.

Por onde começar

Escolha os três temas da tabela que mais pesam no seu patrimônio e abra cada um no guia. Para todo trecho que chamar sua atenção, leia a página inteira de onde ele saiu. Ler os planos na fonte é o caminho mais direto para formar a sua própria opinião.

Perguntas frequentes

Onde encontrar os planos de governo dos candidatos a presidente em 2026?

A lei eleitoral exige que toda candidatura a presidente entregue suas propostas ao TSE junto com o pedido de registro. Os documentos são públicos no Portal de Dados Abertos do TSE, no conjunto Candidatos 2026. O guia Planos na Mesa reúne os 14 planos na tela Fontes e abre cada PDF na página citada.

Quando são o 1º e o 2º turno das eleições de 2026?

Pelo calendário do TSE, o 1º turno é em 4 de outubro de 2026, com votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília. Onde houver 2º turno, a votação será em 25 de outubro de 2026.

O guia Planos na Mesa recomenda algum candidato?

Não. Todos os planos entregues ao TSE aparecem, em ordem alfabética pelo nome de urna, com os mesmos limites por tema e sem nota, ranking, pesquisa ou enquete. A Menegon Family Office não apoia candidato nem partido.

O que significa "Não abordado" no guia?

Significa que o plano registrado no TSE não trata daquele tema. O silêncio é do documento, não uma escolha do guia. O plano completo pode ser conferido na tela Fontes.

Como saber se uma proposta de plano de governo é concreta?

Procure meta com número e prazo, o instrumento que será usado e a fonte do dinheiro. Depois, veja se a medida depende do Congresso, como a criação ou o aumento de tributo, que em regra exige lei. Verbos como fortalecer ou valorizar, sem nada disso, indicam intenção, não compromisso.

Fontes

  1. Eleições 2026: confira as principais datas do calendário eleitoral · Tribunal Superior Eleitoral, 14/07/2026
  2. Candidatos 2026 (conjunto de dados com as propostas de governo) · Portal de Dados Abertos do TSE, planos baixados em 21/09/2026
  3. Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (Lei das Eleições), arts. 11 e 57-C · Presidência da República, consultada em 22/09/2026
  4. Constituição da República Federativa do Brasil, arts. 60, 62, 150 e 153 · Presidência da República, consultada em 22/09/2026

Números e regras conferidos nas fontes acima na data de publicação ou de atualização do artigo. Como escrevemos.