Selic a 13,75%: o que a ata do Copom muda na sua renda fixa
A ata de 22/09 indica juro alto por mais tempo. Quanto R$ 1 milhão rende no CDI antes e depois do corte, e o que muda no prefixado e no IPCA+.
O Copom cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano em 16 de setembro de 2026, por unanimidade. A nova taxa vale desde 17/09. Foi o quinto corte seguido de 0,25 ponto, depois de a Selic passar nove meses em 15% (Banco Central).
Para quem tem R$ 1 milhão no CDI, o corte tira cerca de R$ 157 por mês da renda líquida. O recado que pesa mais veio na ata publicada nesta terça, 22/09: o juro deve cair devagar, e é esse ritmo que decide quanto a sua renda fixa paga em 2027.
O que a ata disse, e o que não disse
A ata é o documento em que o Copom explica a decisão, publicado na terça-feira seguinte à reunião. A frase central do documento: com as expectativas de inflação desancoradas, o momento exige uma “restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”. Em português direto: o juro fica alto por mais tempo, e o ritmo de queda depende dos próximos dados.
- Sem sinal do próximo passo. O tamanho total do ciclo de cortes será ajustado conforme os dados.
- Projeções de inflação. O Copom projeta IPCA de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, o prazo que ele mira. A meta é 3%, com tolerância até 4,5% (Conselho Monetário Nacional); a projeção para 2026 fica acima desse teto.
- Petróleo. O comitê diz que não reage ao primeiro impacto de choques de oferta como o do petróleo, mas que reagirá com firmeza se a alta contaminar outros preços.
- Contas públicas. A ata repete que a incerteza sobre a dívida pública e a expansão do crédito direcionado podem elevar o juro neutro, aquele que nem acelera nem freia a economia.
No Focus de 21/09, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas, a Selic termina 2026 em 13,50% (antes, 13,75%) e 2027 em 12%. Os próximos marcos: o Relatório de Política Monetária, na quinta, 24/09, e as reuniões de 3 e 4 de novembro e de 8 e 9 de dezembro.
Quanto R$ 1 milhão rende no CDI, antes e depois do corte
O CDI é a taxa dos empréstimos de um dia entre bancos e anda colada na Selic. Estava em 13,90% ao ano até 16/09 e em 13,65% desde 17/09 (série 4389 do Banco Central).
| CDI ao ano | Por mês, bruto | Por mês, líquido |
|---|---|---|
| 13,90% (até 16/09/2026) | R$ 10.905 | R$ 9.269 |
| 13,65% (desde 17/09/2026) | R$ 10.720 | R$ 9.112 |
| 11,90% (Selic a 12%) | R$ 9.414 | R$ 8.002 |
Como fizemos a conta. A taxa anual vira mensal por juros compostos. O líquido desconta IR de 15%, a alíquota de aplicações com mais de 720 dias (Lei 11.033/2004), aplicado ao rendimento do mês como aproximação.
Quem resgata em até 180 dias paga 22,5% e ficaria com R$ 8.308 por mês no CDI de hoje. A última linha supõe a Selic de 12% que o Focus projeta para o fim de 2027 e o CDI 0,10 ponto abaixo dela, como hoje. Valores arredondados ao real.
O corte de 16/09 custa R$ 157 por mês. Se o caminho do Focus se confirmar, a diferença chega a R$ 1.267 por mês em relação ao que o mesmo milhão pagava até 16/09.
Para quem vive de renda: o risco é gastar a parte da inflação
Na régua ×200 da Menegon Family Office, o patrimônio rende perto de 1% ao mês e paga o dobro do que você retira: 0,5% ao mês vira renda, e o resto fica nele para repor a inflação.
Com o CDI a 13,65%, R$ 1 milhão paga 0,91% ao mês líquido. Retirados 0,5%, sobram 0,41% ao mês, cerca de 5,05% ao ano, pouco acima dos 4,92% de inflação que o Focus projeta para 2026. Fecha, mas por pouco.
Com o CDI a 11,90%, o líquido cai para 0,80% ao mês. Retirado o mesmo 0,5%, sobram 3,66% ao ano, abaixo dos 4,30% de inflação que o Focus projeta para 2027. Quem vive só do CDI e mantém a retirada passa a gastar, sem perceber, a parte que protegeria o poder de compra.
A taxa de hoje é de ponta de ciclo. Na média de janeiro de 2006 a agosto de 2026, o CDI pagou cerca de R$ 7.050 por mês, já líquido, a cada R$ 1 milhão (séries 4391 e 433 do Banco Central). Planejar com R$ 9.112 é planejar com a exceção. Detalhamos essa conta em renda passiva.
Prefixado e IPCA+: o mercado andou na frente
Prefixado é o título que trava a taxa no dia da compra. No Tesouro Direto, em 18/09/2026, os prefixados pagavam entre 13,3% e 14,3% ao ano, conforme o prazo, pelas taxas de compra da manhã (Tesouro Transparente). Em 19/06, pagavam entre 13,9% e 14,9%. Os cortes esperados já estão no preço.
Os prazos longos pagam mais que a própria Selic: é o prêmio que o mercado cobra pelo risco de a inflação e as contas públicas não colaborarem.
IPCA+ paga a inflação do período mais uma taxa fixa, o juro real. Em 18/09, os títulos do Tesouro atrelados ao IPCA pagavam entre 7,19% e 7,58% ao ano acima da inflação, conforme o prazo. Para comparar: de janeiro de 2006 a agosto de 2026, o CDI pagou em média 4,61% ao ano acima do IPCA, antes do IR (séries do Banco Central).
O que cada classe faz num ciclo de cortes lentos:
- Pós-fixado (CDI, Selic): acompanha cada corte. O preço não oscila, mas a renda encolhe a cada reunião.
- Prefixado: trava a taxa de hoje. Rende mais que o CDI se a Selic cair mais do que o mercado espera; rende menos se cair menos ou voltar a subir. Vendido antes do vencimento, sofre a marcação a mercado: o preço cai quando os juros sobem, e a venda pode dar prejuízo.
- IPCA+: protege o poder de compra e trava o juro real. É a classe que mais oscila no caminho, sobretudo nos prazos longos, e faz sentido quando o vencimento casa com o compromisso que vai pagar.
O que decidir agora
A decisão do Copom não pede pressa. Pede três respostas:
- Quanto da sua renda mensal depende do CDI? Se for toda, cada reunião mexe no seu orçamento.
- Quando o dinheiro vai ser usado? Prazo do título casado com o prazo do compromisso tira a marcação a mercado da conta.
- Com que taxa você planeja? Com a média, não com a de ponta de ciclo.
A Conta da Liberdade repete esse cálculo para o seu caso, com o seu patrimônio e a renda que você quer. E a arquitetura patrimonial mostra como montar a renda sem depender de um motor só.
Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 1 milhão no CDI com a Selic a 13,75%?
Com o CDI a 13,65% ao ano, em vigor desde 17/09/2026, R$ 1 milhão rende cerca de R$ 10.720 por mês antes do IR e R$ 9.112 depois de IR de 15%. Antes do corte, com o CDI a 13,90%, eram R$ 10.905 e R$ 9.269. A conta converte a taxa anual em mensal por juros compostos.
O que disse a ata do Copom de setembro de 2026?
Que, com as expectativas de inflação desancoradas, a política monetária precisa ficar apertada por mais tempo do que ficaria em outra situação. O Copom não antecipou o próximo passo e projeta inflação de 5,2% em 2026 e de 3,2% no primeiro trimestre de 2028. As próximas reuniões são em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro.
Qual a diferença entre prefixado e pós-fixado quando a Selic cai?
O pós-fixado acompanha cada corte e passa a render menos a cada reunião. O prefixado trava a taxa do dia da compra: rende mais que o CDI se a Selic cair mais do que o mercado já espera e rende menos se cair menos. Vendido antes do vencimento, o prefixado pode dar prejuízo, porque o preço oscila com os juros.
Dá para viver de renda só com o CDI?
Com o CDI a 13,65%, R$ 1 milhão paga 0,91% ao mês líquido: retirando 0,5% ao mês, o que sobra ainda repõe a inflação projetada para 2026. Se a Selic cair a 12%, como o Focus projeta para o fim de 2027, a sobra fica abaixo da inflação esperada. Por isso a régua da Menegon não depende de um motor só.
Fontes
- Comunicado da 281ª reunião do Copom: Copom reduz a taxa Selic para 13,75% a.a. · Banco Central do Brasil, 16/09/2026
- Ata da 281ª reunião do Copom (15 e 16 de setembro de 2026) · Banco Central do Brasil, 22/09/2026
- Focus – Relatório de Mercado (projeções coletadas até 18/09/2026) · Banco Central do Brasil, 21/09/2026
- Taxas de juros básicas: histórico das decisões do Copom · Banco Central do Brasil, 22/09/2026
- SGS: séries 4389 (CDI anualizado), 4391 (CDI no mês) e 433 (IPCA), consulta pelo código · Banco Central do Brasil, 22/09/2026
- Taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto · Tesouro Transparente (Tesouro Nacional), 18/09/2026
- Lei nº 11.033/2004, art. 1º (IR sobre aplicações de renda fixa) · Planalto, 22/09/2026
- Resolução CMN nº 5.141 (meta para a inflação de 3%) · Banco Central do Brasil, 26/06/2024
- Comunicado nº 43.383: calendário das reuniões do Copom em 2026 · Banco Central do Brasil, 24/06/2025
- Galípolo e Picchetti participam da coletiva do Relatório de Política Monetária no dia 24/9 · Banco Central do Brasil, 17/09/2026
Números e regras conferidos nas fontes acima na data de publicação ou de atualização do artigo. Como escrevemos.