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O que o relatório de emprego nos EUA muda no seu patrimônio em dólar

Os EUA criaram só 29 mil vagas em setembro, mas o juro do título americano de 10 anos subiu para 5,28%. Quanto custa ficar fora do CDI e quanto o título oscila.

Vista aérea de edifícios e ruas em uma paisagem urbana.Menegon Family Office · MercadoMercado
Fotografia ilustrativa · William Ducret / Unsplash

Por Menegon Family Office

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7 min

O relatório de emprego dos Estados Unidos de setembro, divulgado na sexta-feira, 2 de outubro de 2026, veio fraco: a economia criou só 29 mil vagas, e a revisão tirou 60 mil vagas dos dois meses anteriores. Mesmo assim, o juro do título americano de 10 anos subiu no mesmo dia, de 5,24% para 5,28% ao ano.

Para a parte do seu patrimônio em dólar, o dado muda pouco no curto prazo, mas mostra quanta incerteza há pela frente. O banco central americano tem um dilema: o emprego esfria, mas a inflação continua longe da meta. Para quem guarda dinheiro em moeda forte, isso pesa em duas contas: quanto custa ficar fora do CDI, a taxa de referência da renda fixa no Brasil, e quanto oscila o preço do título de prazo longo.

O que o relatório de emprego mostrou

O relatório de emprego, que o mercado chama de payroll, é publicado todo mês pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), o órgão de estatísticas do Departamento do Trabalho americano. Ele conta as vagas criadas fora do setor agrícola e mede o desemprego.

  • Vagas: mais 29 mil em setembro. Economistas ouvidos pela empresa de notícias Dow Jones esperavam 84 mil, segundo a CNBC.
  • Desemprego: 4,2%. Para o BLS, a taxa pouco mudou.
  • Revisões dos meses anteriores: julho passou de mais 21 mil para menos 10 mil; agosto, de mais 162 mil para mais 133 mil. Somados, são 60 mil vagas a menos do que o publicado antes.
  • Salários: o salário médio por hora subiu 5 centavos no mês (0,1%) e chegou a US$ 37,81. Em 12 meses, a alta é de 3,0%.
  • Setores: a saúde liderou, com 17 mil vagas, menos que a média de 33 mil por mês dos últimos 12 meses. A construção criou 11 mil vagas, e a indústria, 9 mil.

O próximo relatório, o de outubro, sai na sexta, 6 de novembro.

Emprego esfria, inflação não: o dilema do Fed

O Federal Reserve (Fed), o banco central americano, tem duas tarefas por lei: buscar o máximo de emprego e manter os preços estáveis. Em geral, emprego fraco pede juro menor, e inflação alta pede juro maior. Agora os dois sinais apontam em direções opostas.

Em 16 de setembro, o Fed subiu a taxa básica de juros para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, por 12 votos a 0. Foi a primeira alta desde julho de 2023. Nas projeções do mesmo dia, a estimativa central dos dirigentes (a mediana) põe a taxa em 4,1% no fim de 2026. Isso equivale a mais uma alta de 0,25 ponto percentual até dezembro. Para a inflação de 2026, medida pelo índice de preços de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), a projeção é de 3,7%. A meta é de 2%.

O relatório de sexta pesa contra essa nova alta. A inflação projetada pesa a favor. A próxima reunião do Fed é em 27 e 28 de outubro. Como o relatório de outubro só sai depois dela, o de setembro é o último relatório mensal de emprego que os dirigentes terão antes de decidir. A reunião seguinte é em 8 e 9 de dezembro.

O juro longo subiu mesmo com o dado fraco

O título do Tesouro americano, chamado em inglês de Treasury, é um empréstimo que o investidor faz ao governo dos Estados Unidos. O de 10 anos é uma das principais referências do custo do dinheiro de longo prazo no mundo. Explicamos o papel dele no artigo sobre o título americano de 10 anos acima de 5%.

O juro do título americano de 10 anos subiu quase meio ponto percentual em um mês

Juro ao ano pago pelo título de 10 anos do governo dos EUA, em %

O juro do título americano de 10 anos subiu quase meio ponto percentual em um mês
1º de setembro4,79%
15 de setembro5,00%
24 de setembro5,18%
30 de setembro5,29%
2 de outubro (dia do relatório)5,28%
Taxa no fim de cada dia, em 2026; o espaço entre as datas não é igual. É a taxa do dia, não promessa de rendimento: quem vende o título antes do vencimento recebe o preço de mercado, que cai quando o juro sobe. Fonte: Departamento do Tesouro dos EUA (curva diária, setembro e outubro de 2026).

O de 10 anos saiu de 4,79% em 1º de setembro para 5,29% em 30 de setembro, segundo o Tesouro americano. Recuou para 5,24% em 1º de outubro e subiu de novo para 5,28% no dia do relatório. O de 2 anos, mais sensível à taxa básica do Fed, também subiu no dia do relatório: de 4,78% para 4,83%.

O relatório sozinho não explica o movimento. O juro de 10 anos não reflete só o dado do mês: ele embute a inflação esperada para os próximos anos e um prêmio que o investidor cobra para emprestar por tanto tempo. Com a inflação de 2026 projetada pelo Fed perto do dobro da meta, um mês fraco de emprego não bastou para baixá-lo.

O custo de ficar em dólar em vez do CDI

O CDI está em 13,65% ao ano (série 4389 do Banco Central, em 1º de outubro). A Selic, a taxa básica de juros do Brasil, está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro.

A conta com R$ 1 milhão:

  • Com o dólar a R$ 5,2238 pela PTAX de 2 de outubro (a cotação de referência do Banco Central), R$ 1 milhão vira cerca de US$ 191.432.
  • A 5,28% ao ano, isso rende cerca de US$ 10.108 de juros em um ano. Com o dólar parado, são R$ 52.800, antes de impostos e custos e sem contar a oscilação do preço do título.
  • No CDI, o mesmo R$ 1 milhão rende R$ 136.500 no ano, antes de impostos.

Para empatar com o CDI em 12 meses, o dólar precisa subir cerca de 7,95%: (1,1365 ÷ 1,0528) − 1, antes de impostos e custos. Esse número não é previsão. É o custo do seguro em moeda forte. Se o dólar cair, a diferença para o CDI aumenta.

O Focus é a pesquisa semanal do Banco Central com economistas. A edição divulgada em 5 de outubro, com projeções coletadas até o dia 2, aponta para o fim de 2026 o dólar a R$ 5,20, a Selic a 13,50% e o IPCA, a inflação oficial do Brasil, a 5,01%.

Em 31 de dezembro de 2025, a PTAX estava em R$ 5,5024. Ou seja, de lá até 2 de outubro, o dólar caiu cerca de 5%. Explicamos a relação entre os juros dos dois países e o câmbio em Fed sobe, Brasil corta.

O risco de preço do título longo

A marcação a mercado mostra quanto o título valeria se fosse vendido hoje. Quando o juro de mercado sobe, o título antigo vale menos; quando cai, vale mais.

Um título de 10 anos que paga 5,28% ao ano, com juros a cada seis meses, comprado pelo valor de face (o valor que ele devolve no vencimento):

  • se o juro de mercado subir 1 ponto percentual, para 6,28%, o preço cai cerca de 7,3%;
  • se o juro cair 1 ponto percentual, para 4,28%, o preço sobe cerca de 8,1%.

Quem leva o título até o vencimento recebe o combinado, em dólar, e ainda corre o risco do câmbio na volta para o real. Quem pode precisar vender no meio do caminho fica com o preço do dia. Com emprego e inflação puxando para lados opostos, o juro de mercado pode tanto subir quanto cair.

O que decidir

O relatório de emprego não pede pressa. Pede três respostas de método:

  1. Para que serve a sua parte em dólar? Proteção contra crise local, renda ou um compromisso com data. Cada função pede um prazo.
  2. Quando você pode precisar desse dinheiro? O vencimento do título deve coincidir com essa data, e não ser escolhido pela taxa mais alta da tela.
  3. Quanto custa o seguro? Com as taxas de 2 de outubro, o dólar precisa subir cerca de 7,95% em 12 meses só para empatar com o CDI. Compare esse custo com o risco contra o qual o seguro protege.

Os caminhos para montar essa parte estão em investir no exterior, e o lugar dela no conjunto, na arquitetura patrimonial. Na Conta da Liberdade, o patrimônio no exterior tem linha própria.

Perguntas frequentes

O que mostrou o relatório de emprego dos EUA de setembro de 2026?

A economia americana criou 29 mil vagas fora do setor agrícola em setembro, e o desemprego ficou em 4,2%. Os números de julho e agosto foram revisados para baixo em 60 mil vagas no total. O salário médio por hora subiu 0,1% no mês e 3,0% em 12 meses (Bureau of Labor Statistics, 02/10/2026).

Por que o juro americano subiu se o emprego veio fraco?

O juro do título de 10 anos não reflete só o dado do mês: ele embute a inflação esperada para os próximos anos e um prêmio que o investidor cobra para emprestar por tanto tempo. Com a inflação de 2026 projetada pelo próprio Fed em 3,7%, perto do dobro da meta de 2%, um mês fraco de emprego não bastou para baixar a taxa: ela foi de 5,24% em 1º de outubro para 5,28% em 2 de outubro de 2026 (Tesouro dos EUA). O relatório sozinho não explica o movimento.

Quanto o dólar precisa subir para empatar com o CDI?

Com o CDI, a taxa de referência da renda fixa no Brasil, a 13,65% ao ano (1º de outubro de 2026) e o título americano de 10 anos a 5,28% (2 de outubro), o dólar precisa subir cerca de 7,95% em 12 meses para empatar, antes de impostos e custos. A conta é (1,1365 ÷ 1,0528) − 1. É o custo do seguro em moeda forte, não uma previsão de câmbio. Se o dólar cair, a diferença aumenta.

Quanto cai o preço de um título americano de 10 anos se o juro subir?

Um título de 10 anos que paga 5,28% ao ano, comprado pelo valor de face (o valor que ele devolve no vencimento), perde cerca de 7,3% do preço se o juro de mercado subir 1 ponto percentual e ganha cerca de 8,1% se o juro cair 1 ponto. Essa oscilação é a marcação a mercado: o preço pelo qual o título seria vendido hoje. Quem leva o título até o vencimento recebe o combinado, em dólar.

Quando o Fed decide os juros de novo?

A próxima reunião do Fed é em 27 e 28 de outubro de 2026, e a seguinte, em 8 e 9 de dezembro. O relatório de emprego de outubro só sai em 6 de novembro, depois da primeira delas. Em 16 de setembro, o Fed subiu a taxa básica para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.

Fontes

  1. The Employment Situation – September 2026 · Bureau of Labor Statistics (Departamento do Trabalho dos EUA), 02/10/2026
  2. Federal Reserve issues FOMC statement · Federal Reserve, 16/09/2026
  3. Summary of Economic Projections, Table 1 (setembro de 2026) · Federal Reserve, 16/09/2026
  4. Calendário de reuniões do FOMC em 2026 · Federal Reserve, 05/10/2026
  5. Daily Treasury Par Yield Curve Rates (setembro de 2026) · Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, 30/09/2026
  6. Daily Treasury Par Yield Curve Rates (outubro de 2026) · Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, 02/10/2026
  7. Taxa de câmbio livre, dólar americano (venda), diário: PTAX (série 1) · Banco Central do Brasil (SGS), 02/10/2026
  8. SGS: série 4389 (CDI anualizado, base 252), consulta pelo código · Banco Central do Brasil, 01/10/2026
  9. Focus – Relatório de Mercado (projeções coletadas até 02/10/2026) · Banco Central do Brasil, 05/10/2026
  10. Labor market faltered in September as jobs increased by just 29,000, unemployment rate rose to 4.2% · CNBC, 02/10/2026

Números e regras conferidos nas fontes acima na data de publicação ou de atualização do artigo. Como escrevemos.