Bradesco sobe juro do financiamento a 15%: quanto muda a parcela
O Bradesco foi a 15% ao ano no financiamento imobiliário. Veja quanto sobe a parcela de um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos e como comparar propostas.
Menegon Family Office · MercadoMercadoPor Davi MenegonMenegon Family Office
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Segundo o Exame e o Poder360, o Bradesco subiu de 11,69% para 15% ao ano, mais a TR (Taxa Referencial, um índice mensal somado ao juro) a taxa mínima do financiamento imobiliário para a maioria dos clientes. Num financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pelo SAC (sistema em que a parcela começa alta e cai com o tempo), a primeira parcela passa de cerca de R$ 6.017 para R$ 7.246: cerca de R$ 1.230 a mais por mês, alta de 20%.
Os juros até o fim do contrato sobem de cerca de R$ 835 mil para R$ 1,06 milhão, R$ 222 mil a mais.
O que o banco mudou, e o que ainda não se sabe
Segundo o Exame (27/10/2026) e o Poder360 (28/10/2026), a mudança foi comunicada a parceiros imobiliários, e a MySide, que acompanha as taxas dos bancos, confirmou o dado.
Para clientes private, que a MySide define como os de patrimônio acima de R$ 10 milhões, a taxa passou de 11,45% para 13,6% ao ano, mais TR.
As duas reportagens chamam os 15% de taxa mínima. O Exame relata que o banco atualizou as taxas máximas de suas linhas por causa da alta dos juros no mercado; “máximas” é paráfrase da repórter, não citação do banco. As reportagens não explicam como as duas descrições se encaixam. Segundo o Exame, o banco afirma que as condições finais dependem de cada proposta: a taxa que você receber pode diferir da tabela.
Antes da mudança, segundo o Exame, os grandes bancos cobravam de 10,26% a 11,99% ao ano mais TR. O Bradesco passa a cobrar cerca de 3 pontos acima do segundo mais caro.
O banco cita a alta dos juros no mercado; outro motivo não é conhecido. Paulo Prado, cofundador da MySide, afirmou ao Exame que o tamanho do salto sugere um freio a novas contratações, mas que é interpretação dele: sem posição do banco, não se sabe o que motivou a decisão. Nenhuma das reportagens diz se a mudança é temporária.
Duas siglas para comparar propostas
- CET (Custo Efetivo Total): o custo da operação inteira, em percentual ao ano, com juros, seguros, tarifas e impostos. É o número para comparar bancos.
- SFH (Sistema Financeiro da Habitação): o financiamento com regras e limites definidos pelo governo, como o teto de valor do imóvel. Fora dele, o banco tem mais liberdade para fixar a taxa.
A conta: financiar R$ 500 mil em 30 anos
A primeira parcela soma a fatia que abate a dívida (R$ 500 mil ÷ 360 meses, ou R$ 1.389) e os juros do primeiro mês.
| Juro ao ano | Primeira parcela | Juros em 30 anos |
|---|---|---|
| 10,26% (menor taxa dos grandes bancos) | R$ 5.475 | R$ 738 mil |
| 11,69% (Bradesco, até agora) | R$ 6.017 | R$ 835 mil |
| 11,99% (maior taxa dos grandes bancos) | R$ 6.130 | R$ 856 mil |
| 15% (Bradesco, agora) | R$ 7.246 | R$ 1,06 milhão |
Como fizemos a conta. A taxa anual vira mensal por juros compostos: (1 + taxa)^(1/12) − 1. Os 15% viram 1,1715% ao mês. Sobre R$ 500 mil, os juros do primeiro mês são R$ 5.857; somados aos R$ 1.389, dão R$ 7.246. Os juros totais do SAC são a taxa mensal × R$ 500 mil × 361 ÷ 2. O Exame chegou a números próximos: parcela de R$ 6.020 a R$ 7.246 e juros de R$ 836 mil a R$ 1,06 milhão. Diferenças entre linhas foram calculadas antes do arredondamento dos valores da tabela. Sem TR, seguros e tarifas.
No Bradesco, a primeira parcela de um financiamento de R$ 500 mil sobe cerca de R$ 1.230
Primeira parcela de um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, por taxa de juro ao ano, em reais. Não inclui a Taxa Referencial, seguros e tarifas
| 10,26%: menor taxa dos grandes bancos | R$ 5.475 |
| 11,69%: Bradesco, até agora | R$ 6.017 |
| 11,99%: maior taxa dos grandes bancos | R$ 6.130 |
| 15%: Bradesco, agora | R$ 7.246 |
Onde os 15% se encaixam no mercado
O Banco Central publica a taxa média do financiamento imobiliário. Na modalidade “com taxas de mercado”, fora das regras do SFH, a média foi de 1,11% ao mês em setembro de 2026 (1,12% em agosto), cerca de 14,2% ao ano (série 25497 do Banco Central). Somando todos os financiamentos imobiliários, foi de 0,90% ao mês, cerca de 11,4% ao ano (série 25499).
As médias reúnem muitos bancos e são de setembro, antes do anúncio. Dão a ordem de grandeza, não uma comparação direta. Os 15% ficam acima das duas.
O dinheiro parado contra o juro do financiamento
Você tem R$ 500 mil: usa na entrada ou os mantém aplicados? O CDI, taxa de referência da renda fixa, está em 13,65% ao ano (Banco Central, 28/10/2026). Com Imposto de Renda de 15%, alíquota de aplicações acima de 720 dias (Lei 11.033/2004), os R$ 500 mil rendem cerca de R$ 4.556 por mês.
Os juros do primeiro mês sobre os mesmos R$ 500 mil financiados:
- A 11,69%: R$ 4.628. Quase empata com o rendimento.
- A 15%: R$ 5.857. São cerca de R$ 1.300 por mês acima do que o dinheiro aplicado paga.
Três cuidados. A conta olha só o primeiro mês, e a dívida do SAC encolhe. O CDI acompanha a Selic (taxa básica de juros), hoje em 13,75% ao ano, e rende mais ou menos quando ela muda; renda fixa tem risco de mercado e de crédito. E o financiamento tem TR, seguros e tarifas por cima. Fica de fora o que o imóvel rende, como valorização ou aluguel que você deixa de pagar, tema de imóveis para renda.
O que muda para quem tem R$ 1 milhão
Imagine R$ 1 milhão aplicado e um imóvel de R$ 1 milhão em vista. Duas variáveis mexem no custo, e cada uma troca dinheiro disponível por custo menor.
- Entrada. A 15% em 30 anos, cada R$ 100 mil financiados a menos tiram R$ 1.449 da primeira parcela e R$ 211 mil dos juros. Financiar R$ 700 mil, e não R$ 500 mil, leva a primeira parcela a R$ 10.145 e os juros a R$ 1,48 milhão. Em troca, entrada maior esvazia a reserva.
- Prazo. Em 20 anos, a primeira parcela de R$ 500 mil a 15% é de R$ 7.941, cerca de R$ 694 acima da de 30 anos. Os juros caem para R$ 706 mil, R$ 351 mil a menos.
Pela régua ×200 (renda mensal × 200 = patrimônio), uma parcela de R$ 7.246 pede um patrimônio de R$ 1,45 milhão para ser paga como renda. Os R$ 1.230 a mais por mês pedem R$ 246 mil a mais. A régua é meta de planejamento, não promessa.
O consórcio é outro caminho para o mesmo imóvel, com custos de outro tipo.
O que decidir agora
Ninguém sabe quanto tempo os 15% ficam. O Copom, comitê do Banco Central que define a Selic, volta a se reunir em 3 e 4 de novembro de 2026. Ele decide a Selic, não a taxa de cada banco. Decida com o que você controla:
- Peça o CET por escrito a pelo menos dois bancos, para o mesmo valor e o mesmo prazo.
- Teste entrada e prazo até a primeira parcela caber no orçamento sem esgotar a reserva.
- Compare com o dinheiro parado, usando o CDI líquido de hoje e o custo total do contrato.
Para ver o conjunto, comece pela arquitetura patrimonial.
Perguntas frequentes
Quanto a parcela do financiamento sobe com o juro de 15% no Bradesco?
Em um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos pelo SAC (sistema em que a parcela começa alta e cai com o tempo), a primeira parcela vai de cerca de R$ 6.017, com juro de 11,69% ao ano, para R$ 7.246, com 15% ao ano. São cerca de R$ 1.230 a mais por mês, alta de 20%. Os juros totais saem de cerca de R$ 835 mil para R$ 1,06 milhão. A conta não inclui a TR (Taxa Referencial), seguros e tarifas.
O que significa juro de 15% ao ano mais TR?
O banco cobra 15% ao ano de juro e soma a TR, a Taxa Referencial, um índice mensal que corrige o saldo da dívida. A TR vem por cima dos 15%, por isso o custo final é maior que a taxa anunciada. Para comparar propostas, use o CET, o Custo Efetivo Total, que soma juros, seguros e tarifas.
Os outros bancos também subiram o juro do financiamento imobiliário?
As reportagens do Exame e do Poder360 tratam o salto como do Bradesco. Segundo o Exame, os grandes bancos cobravam antes da mudança de 10,26% a 11,99% ao ano mais TR, e o Bradesco passa a cobrar cerca de 3 pontos acima do segundo mais caro. As reportagens não informam alta nos demais bancos.
Dá para saber se o juro do financiamento vai cair?
Não. A Selic, a taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026, e o Focus de 23 de outubro (pesquisa do Banco Central com economistas) projeta 13,25% para o fim do ano. Mas o Focus é uma projeção, e a taxa do financiamento depende também de cada banco. A decisão deve partir do orçamento e do custo total do contrato, não de uma aposta no juro.
Como comparar propostas de financiamento entre bancos?
Peça a cada banco a proposta por escrito, para o mesmo valor, o mesmo prazo e o mesmo sistema de amortização (a forma de abater a dívida). Compare o CET, que reúne juros, seguros e tarifas, e a primeira parcela. Entre 10,26% e 15% ao ano, a diferença passa de R$ 300 mil em juros ao longo de 30 anos.
Fontes
- Bradesco dá salto inédito no juro da casa própria, e taxa mínima vai a 15% ao ano · Exame, 27/10/2026
- Em salto inédito, Bradesco sobe juro da casa própria para 15% ao ano · Poder360, 28/10/2026
- SGS, série 25497: taxa média mensal de juros do financiamento imobiliário a pessoas físicas, com taxas de mercado · Banco Central do Brasil, 29/10/2026
- SGS, série 25499: taxa média mensal de juros do financiamento imobiliário, total · Banco Central do Brasil, 29/10/2026
- SGS, série 4389: CDI anualizado base 252 · Banco Central do Brasil, 28/10/2026
- SGS, série 432: meta da taxa Selic definida pelo Copom · Banco Central do Brasil, 29/10/2026
- Focus – Relatório de Mercado de 23/10/2026 · Banco Central do Brasil, 26/10/2026
- Lei nº 11.033/2004, art. 1º (IR sobre aplicações de renda fixa) · Planalto, 29/10/2026
Números e regras conferidos nas fontes acima na data de publicação ou de atualização do artigo. Como escrevemos.