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O que mudou no dólar, na bolsa e no Tesouro depois do 1º turno

Em 5 de outubro, o Ibovespa subiu 7,70%, o dólar caiu 4,55% e títulos longos do Tesouro subiram até 17,97%. O que isso muda no patrimônio de quem investe.

Vista aérea de edifícios e ruas em uma paisagem urbana.Menegon Family Office · MercadoMercado
Fotografia ilustrativa · William Ducret / Unsplash

Por Menegon Family Office

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7 min

No primeiro pregão depois do 1º turno da eleição presidencial, na segunda-feira, 5 de outubro de 2026, a bolsa, o dólar e os juros se mexeram muito. O Ibovespa subiu 7,70% e fechou em recorde. O dólar caiu 4,55% e ficou abaixo de R$ 5 pela cotação oficial do Banco Central. As taxas dos títulos do Tesouro caíram, e os preços desses títulos subiram: até 17,97% nos mais longos.

Para quem tem patrimônio investido, o efeito depende da carteira. Quem tinha títulos longos viu o saldo subir. Quem tinha reserva em dólar viu o valor em reais cair. Nada disso vira dinheiro sem uma venda, e o movimento pode se repetir ou se desfazer até o 2º turno, em 25 de outubro, e depois dele.

O resultado do 1º turno

A totalização está encerrada (TSE, dados de 05/10/2026, 12h51). Votos válidos são os dados a uma candidatura, sem contar brancos e nulos. Foram ao 2º turno, em ordem alfabética:

  • Flávio Bolsonaro (PL): 56.104.503 votos, 47,03% dos votos válidos.
  • Lula (PT): 53.879.538 votos, 45,16% dos votos válidos.

As outras dez candidaturas somaram 9.316.747 votos, 7,81% dos válidos. Em ordem alfabética: Clariana Barão (DC), 0,03%; Edmilson Costa (PCB), 0,02%; Escritor Augusto Cury (Avante), 2,89%; Hertz Dias (PSTU), 0,04%; Renan Santos (Missão), 2,24%; Ronaldo Caiado (PSD), 2,18%; Rui Costa Pimenta (PCO), 0,01%; Samara (UP), 0,10%; Veterinário Wilson Grassi (Democrata), 0,01%; e Zema (Novo), 0,27%.

Votaram 78,92% dos 158.745.502 eleitores aptos. A abstenção foi de 21,08%, ou 33.469.244 eleitores. O 2º turno é no domingo, 25 de outubro.

O que se mexeu no primeiro pregão

Num único dia, muitos fatores mexem nos preços ao mesmo tempo, dentro e fora do país, e não há como medir o peso de cada um. Por isso este texto não atribui o movimento a nenhum resultado nem a nenhuma candidatura. Ele registra o que aconteceu da sexta, 2 de outubro, para a segunda, 5 de outubro:

Indicador Sexta, 02/10 Segunda, 05/10
Ibovespa 192.114,55 pontos 206.911,89 pontos
Dólar (PTAX de venda) R$ 5,2238 R$ 4,9859
Tesouro Prefixado 2031 14,07% ao ano 12,87% ao ano
Tesouro IPCA+ 2035 IPCA + 7,55% IPCA + 6,86%
Tesouro IPCA+ 2045 IPCA + 7,03% IPCA + 6,45%
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 7,06% IPCA + 6,32%

O Ibovespa é o índice das ações mais negociadas da B3, a bolsa brasileira. Subiu 7,70% no dia. O recorde de fechamento anterior era de 198.657,33 pontos, em 14 de abril de 2026; o novo ficou 4,16% acima dele (B3).

A PTAX é a cotação oficial do dólar, calculada pelo Banco Central todo dia útil. Caiu 4,55% e ficou abaixo de R$ 5.

As taxas do Tesouro são as oferecidas pela manhã a quem compra o título (Tesouro Nacional). Todas as taxas de prefixados e IPCA+ caíram. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, foi de 13,48% para 12,66% ao ano.

Por que o preço do título sobe quando a taxa cai

O Tesouro Prefixado diz hoje quanto você recebe no vencimento: R$ 1.000 por título. O Tesouro IPCA+ paga a inflação oficial do período, medida pelo IPCA, mais uma taxa fixa. Nos dois, a taxa é o juro que quem compra hoje garante até o vencimento.

O título tem preço todo dia, e esse preço segue a taxa. É a marcação a mercado. Veja o Prefixado 2031, que paga R$ 1.000 em 1º de janeiro de 2031. Na sexta, quem pagava R$ 574,80 por ele garantia 14,07% ao ano. Na segunda, o preço de compra subiu para R$ 601,23, e quem comprava garantia 12,87%. O valor no vencimento continua R$ 1.000; o preço de hoje subiu 4,60%, e a taxa de quem compra caiu.

O prazo pesa. Quanto mais longo o título, mais anos a diferença de taxa se acumula, e mais o preço se mexe. Pelo preço base, que é o valor do título para quem já o tem, o IPCA+ 2035 subiu 5,76%, o IPCA+ 2045, 10,67%, e o IPCA+ 2050, 17,97%. Nesses títulos, a variação inclui a correção pela inflação, que em um dia útil é pequena: quase toda a alta veio da queda da taxa.

Quanto mais longo o título, mais o preço se mexeu

Variação do preço dos títulos do Tesouro Direto de 02/10 a 05/10/2026, em %

Quanto mais longo o título, mais o preço se mexeu
Tesouro Selic 20290,05%
Tesouro Prefixado 20314,60%
Tesouro IPCA+ 20355,76%
Tesouro IPCA+ 204510,67%
Tesouro IPCA+ 205017,97%
Variação do preço base da manhã (o valor do título para quem já o tem) de um dia útil para o seguinte. Nos títulos IPCA+, a variação inclui a correção pela inflação desse dia, pequena perto do efeito da queda da taxa. É ganho no papel: o mesmo movimento pode ocorrer ao contrário se as taxas voltarem a subir. Fonte: Tesouro Nacional (Tesouro Transparente, preços e taxas dos títulos do Tesouro Direto, 02/10 e 05/10/2026). Conta da Menegon Family Office.

O Tesouro Selic quase não se mexeu (+0,05%). Ele acompanha a Selic, a taxa básica de juros, que está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro (Banco Central). Por isso o preço oscila pouco.

O que isso muda no seu patrimônio

Quem já tinha título longo. R$ 1 milhão no Tesouro IPCA+ 2045 na sexta valia cerca de R$ 1,107 milhão na segunda, pelos preços do Tesouro: alta de 10,67%, perto de R$ 106,7 mil. É um ganho no papel. Só vira dinheiro com a venda antes do vencimento, e o mesmo mecanismo funciona ao contrário se as taxas voltarem a subir. Quem leva o título até o vencimento recebe a taxa contratada na compra, qualquer que seja o sobe e desce.

Quem vai comprar agora. Garante uma taxa menor que a de sexta. No IPCA+ 2035, a taxa foi de IPCA + 7,55% para IPCA + 6,86%: 0,69 ponto percentual a menos por ano, que é a subtração simples entre as duas taxas. Em R$ 1 milhão, são cerca de R$ 6.900 por ano a menos de juro acima da inflação (conta simples, sem juro composto, antes do Imposto de Renda).

Quem tem reserva em dólar. US$ 200 mil valiam cerca de R$ 47,6 mil a menos em reais na segunda: 200.000 × (5,2238 − 4,9859) = R$ 47.580. Em dólar, nada mudou. A reserva em moeda forte serve de proteção de longo prazo, não de aposta de curto prazo.

Quem tem ações. Uma alta de 7,70% em um dia lembra que ações também podem cair nessa velocidade. Por isso pedem prazo longo.

O que vem até o 2º turno

A votação é em 25 de outubro. Até lá, e depois, os preços podem oscilar de novo, para cima ou para baixo. Não fazemos previsão de resultado nem de preço.

O Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic, não se reúne antes da votação: a próxima reunião é em 3 e 4 de novembro. O Focus é a pesquisa semanal do Banco Central com economistas. Na edição divulgada em 5 de outubro, com projeções coletadas até o dia 2, os economistas projetam a Selic em 13,50% no fim de 2026 e o IPCA do ano em 5,01%.

Decida pelo prazo, não pela manchete

Uma semana como esta convida a mexer em tudo. Em mexer na carteira a cada notícia custa caro, mostramos a pesquisa que explica por que esse hábito costuma sair caro.

Na arquitetura patrimonial da Menegon Family Office, cada parte do patrimônio tem um papel e um prazo:

  • Reserva: dinheiro que pode ser usado a qualquer hora, em título que oscila pouco.
  • Renda: títulos com vencimento casado com a data em que o dinheiro vai pagar a vida. Detalhamos essa lógica em renda passiva.
  • Crescimento: ações e outros ativos de prazo longo, que aguentam anos ruins.
  • Moeda forte: proteção contra a perda de valor do real, medida em décadas, não em dias.

Com esses papéis definidos, o sobe e desce destas semanas muda o extrato, mas não muda o plano.

O que fazer esta semana

Abra o extrato e, ao lado de cada título, escreva duas datas: o vencimento e o dia em que você vai precisar daquele dinheiro. Onde as datas casam, a oscilação de outubro não muda o que você vai receber. Onde não casam, decida com calma qual parte do patrimônio cobre aquela data, antes que a próxima manchete decida por você.

Perguntas frequentes

O que aconteceu com o dólar depois do 1º turno de 2026?

Pela PTAX de venda, a cotação oficial do Banco Central, o dólar foi de R$ 5,2238 na sexta, 2 de outubro de 2026, para R$ 4,9859 na segunda, 5 de outubro, o primeiro pregão depois da apuração. Foi uma queda de 4,55% em um dia útil. Num único dia, muitos fatores mexem no câmbio, e ele pode voltar a oscilar, em qualquer direção, até o 2º turno e depois dele.

Por que o preço do Tesouro IPCA+ sobe quando a taxa cai?

Porque o título já comprado paga uma taxa fixa. Quando os novos compradores aceitam uma taxa menor, o título antigo, que paga mais, passa a valer mais. Isso é a marcação a mercado. Entre 2 e 5 de outubro de 2026, o Tesouro IPCA+ 2045 subiu 10,67%, e quase toda a alta veio da queda da taxa.

Quem leva o Tesouro IPCA+ até o vencimento perde se a taxa subir?

Não. Quem fica com o título até o vencimento recebe a inflação mais a taxa contratada na compra, qualquer que seja o sobe e desce no caminho. A marcação a mercado só vira ganho ou perda de verdade para quem vende antes do vencimento.

Quando é o 2º turno da eleição presidencial de 2026?

O 2º turno é no domingo, 25 de outubro de 2026, o último domingo do mês, como manda a Constituição. Disputam, em ordem alfabética, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). No 1º turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%.

O que é a PTAX?

É a taxa de câmbio oficial que o Banco Central calcula todos os dias úteis a partir de consultas a bancos que negociam moeda. Serve de referência para contratos e para a declaração de bens. A cotação que aparece no aplicativo do banco pode ser diferente, porque inclui a margem do banco, o chamado spread.

Fontes

  1. Resultados das Eleições 2026, presidente, 1º turno (totalização encerrada, dados de 05/10/2026, 12h51) · Tribunal Superior Eleitoral, 05/10/2026
  2. Arquivo oficial de resultados, presidente, 1º turno (br-c0001-e006257-u.json) · Tribunal Superior Eleitoral, 05/10/2026
  3. Constituição Federal, art. 77 (2º turno no último domingo de outubro) · Presidência da República, 06/10/2026
  4. Cotação do dólar por período (PTAX de venda), 02/10/2026 e 05/10/2026 · Banco Central do Brasil, 05/10/2026
  5. Ibovespa: estatísticas diárias do índice, 02/10/2026 e 05/10/2026 · B3, 05/10/2026
  6. Preços e taxas dos títulos públicos ofertados pelo Tesouro Direto, 02/10/2026 e 05/10/2026 · Tesouro Transparente (Tesouro Nacional), 05/10/2026
  7. Comunicado da 281ª reunião do Copom: Copom reduz a taxa Selic para 13,75% a.a. · Banco Central do Brasil, 16/09/2026
  8. Comunicado nº 43.383: calendário das reuniões do Copom em 2026 · Banco Central do Brasil, 24/06/2025
  9. Focus – Relatório de Mercado (divulgado em 05/10/2026, projeções coletadas até 02/10/2026) · Banco Central do Brasil, 05/10/2026

Números e regras conferidos nas fontes acima na data de publicação ou de atualização do artigo. Como escrevemos.