IGP-M sobe 1,57% em setembro de 2026: reajuste do aluguel vai a 3,34%
Um aluguel de R$ 5.000 com aniversário em outubro vai a R$ 5.167, abaixo do preço de mercado. O que a lei permite e quanto rende um imóvel alugado.
Menegon Family Office · MercadoMercadoPor Davi MenegonMenegon Family Office
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O IGP-M, índice que a FGV aponta como amplamente usado nos contratos de aluguel, subiu 1,57% em setembro de 2026, depois de cair 0,22% em agosto. Em 12 meses, acumula 3,34%, contra 2,16% até agosto (FGV IBRE, 29 de setembro de 2026).
Para quem tem contrato com aniversário em outubro e cláusula pelo IGP-M, esse é o número do reajuste: um aluguel de R$ 5.000 passa a R$ 5.167, R$ 167 a mais por mês. É menos do que o mercado cobra hoje em contratos novos. O que fazer com essa distância é a decisão de proprietário e inquilino.
Pelo IGP-M, o aluguel de outubro sobe 3,34%
O que puxou o IGP-M em setembro
O IGP-M, da FGV, junta preços ao produtor (IPA), ao consumidor (IPC) e da construção (INCC), coletados de 21 de agosto a 20 de setembro de 2026.
- Produtor (IPA): subiu 2,08%, depois de −0,34% em agosto. As matérias-primas brutas subiram 3,61%, com soja, milho e carne bovina à frente.
- Consumidor (IPC): 0,50%, depois de −0,41%. Habitação saiu de −1,24% para 1,82%, com o fim do efeito do Bônus de Itaipu na conta de luz.
- Construção (INCC): 0,25%, depois de 0,85%.
Para Matheus Dias, economista da FGV IBRE, “a pressão não ficou concentrada em apenas um componente do IGP-M”.
Um índice que anda aos saltos: o mês do contrato pesa
Com peso de atacado e commodities, o IGP-M oscila mais que a inflação ao consumidor. Em 2026, o acumulado em 12 meses ficou negativo de janeiro a março (−2,67% em fevereiro) e chegou a 3,16% em junho (FGV).
O reajuste é anual por lei (Lei 10.192/2001), e o contrato define o mês-base; em geral, vale o acumulado de 12 meses até o mês anterior ao aniversário.
| Aniversário | IGP-M em 12 meses | R$ 5.000 viram |
|---|---|---|
| Setembro (base: agosto) | 2,16% | R$ 5.108 |
| Outubro (base: setembro) | 3,34% | R$ 5.167 |
Um mês de diferença no aniversário muda o aluguel em R$ 59 por mês.
O reajuste pelo índice ficou abaixo do preço de mercado
O preço pedido em novos contratos de aluguel subiu 9,16% nos 12 meses até agosto de 2026, pelo Índice FipeZAP (anúncios de apartamentos em 36 cidades). No mesmo período, o IGP-M subiu 2,16% e o IPCA, 4,22%. O índice mede anúncios de novos aluguéis, não contratos em vigor.
O aluguel anunciado subiu mais que a inflação
Alta em 12 meses até agosto de 2026, em %
| Aluguel anunciado (FipeZAP) | 9,16% |
| Inflação oficial (IPCA) | 4,22% |
| Índice do aluguel (IGP-M) | 2,16% |
Se o aluguel de R$ 5.000 acompanhasse o mercado, iria a R$ 5.458. Pelo IGP-M, vai a R$ 5.167. A diferença é de R$ 291 por mês, cerca de R$ 3.492 por ano.
Como fizemos a conta. R$ 5.000 × 1,0334 = R$ 5.167; R$ 5.000 × 1,0916 = R$ 5.458. Os períodos não são iguais: o FipeZAP cobre os 12 meses até agosto, e o IGP-M, os 12 meses até setembro. A média nacional esconde capitais muito diferentes: +14,18% no Rio de Janeiro, +5,74% em São Paulo.
O que a lei deixa proprietário e inquilino fazerem
A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991) dá três ferramentas:
- Valor livre (art. 17). Só não pode ser fixado em moeda estrangeira nem atrelado ao câmbio ou ao salário mínimo.
- Novo valor ou novo índice por acordo (art. 18). As partes podem, juntas, fixar outro valor e trocar a cláusula de reajuste, por exemplo do IGP-M para o IPCA.
- Revisão judicial (art. 19). Sem acordo, depois de três anos de contrato ou do último acordo, qualquer das partes pode pedir que o aluguel seja ajustado ao preço de mercado.
Trocar de índice não favorece sempre o mesmo lado. Nos 12 meses até agosto, o IPCA (4,22%) ficou acima do IGP-M (2,16%); em outros períodos, foi o contrário. Para onde o IPCA deve ir está na projeção do Focus para a inflação.
Quanto rende um imóvel de R$ 1 milhão, comparado ao CDI
A rentabilidade média do aluguel residencial foi de 6,14% ao ano em agosto de 2026 (FipeZAP). Num imóvel de R$ 1 milhão, dá R$ 61.400 por ano, perto de R$ 5.117 por mês, ou 0,51% ao mês bruto. A própria Fipe registra que esse retorno fica abaixo do juro real de referência projetado para 12 meses.
O CDI, a taxa que remunera a renda fixa pós-fixada e anda colada na Selic, estava em 13,65% ao ano em 25 de setembro de 2026 (Banco Central).
| R$ 1 milhão em | Por mês, bruto | Por mês, líquido |
|---|---|---|
| Imóvel alugado (6,14% ao ano) | R$ 5.117 | R$ 3.710 |
| CDI (13,65% ao ano) | R$ 10.720 | R$ 9.112 |
Como fizemos a conta. Aluguel: média do FipeZAP dividida por 12. O líquido supõe outras rendas altas o bastante para o aluguel inteiro cair na alíquota de 27,5% do carnê-leão, o recolhimento mensal do IR sobre aluguel recebido de pessoa física (Receita Federal): R$ 5.117 × 0,725. Se o aluguel for a sua única renda, o imposto é bem menor. CDI: taxa mensal por juros compostos, com IR de 15% em aplicações acima de 720 dias (Lei 11.033/2004). Valores arredondados.
O aluguel da tabela ainda não desconta vacância (os meses com o imóvel vazio), IPTU e condomínio nesses meses, manutenção e administração. Do outro lado, o CDI acompanha a Selic e muda a cada reunião do Copom. Nenhum dos dois números é garantido para os próximos anos.
Na régua ×200, o aluguel cobre só a metade que vira renda
Na régua ×200 da Menegon Family Office, a renda mensal vezes 200 dá o patrimônio necessário: o patrimônio precisa render perto de 1% ao mês, 0,5% vira renda e o resto fica nele para repor a inflação. Sempre em valores nominais.
Os R$ 5.117 brutos são cerca de 0,5% ao mês do imóvel (R$ 5.117 × 200 ≈ R$ 1,02 milhão): cobrem a metade da régua que vira renda, antes de imposto e custos. Depois do IR de 27,5%, os R$ 3.710 ficam abaixo dela.
A outra metade, a que repõe a inflação, depende da valorização. O preço pedido nos anúncios de venda subiu 5,49% nos 12 meses até agosto, contra 4,22% do IPCA (FipeZAP e IBGE). É preço anunciado, não negócio fechado: a valorização não é garantida e só vira dinheiro na venda.
É o diagnóstico do guia de imóveis para renda: o aluguel tradicional, sozinho, fica abaixo da régua; o que muda o resultado é a estrutura da operação, com os riscos de cada uma. A conta completa da renda que o patrimônio paga está em renda passiva.
O que decidir com o reajuste de outubro
Se você é proprietário: aplique o índice e o mês-base que o contrato prevê e compare o valor reajustado com o de imóveis parecidos no mesmo bairro. Se a distância for grande, a lei abre dois caminhos: um novo valor por acordo agora (art. 18) ou a revisão judicial depois de três anos (art. 19).
Antes de forçar o preço, pese a vacância. Um único mês vazio custa R$ 5.167 de aluguel, mais IPTU e condomínio; a diferença para o mercado soma R$ 3.492 em um ano inteiro.
Se você é inquilino: confira o mês-base na cláusula e refaça a conta; o reajuste não pode vir antes de 12 meses. Com o mercado subindo mais que o índice, o que você negocia é prazo e previsibilidade, não só o percentual.
Se o imóvel faz parte da sua renda: divida o que ele paga por mês, líquido, pelo valor dele. A Conta da Liberdade mostra se essa renda sustenta o seu plano ou se há capital parado pedindo outra função.
Perguntas frequentes
Qual foi o IGP-M de setembro de 2026?
O IGP-M subiu 1,57% em setembro de 2026 e acumula 3,34% em 12 meses e 3,45% no ano, segundo a FGV IBRE, que divulgou o índice em 29/09/2026. Em agosto, o índice tinha caído 0,22%, e o acumulado em 12 meses estava em 2,16%.
Como calcular o reajuste do aluguel pelo IGP-M?
Multiplique o aluguel por 1 mais o IGP-M acumulado em 12 meses no mês-base que o contrato define, em geral o mês anterior ao aniversário. Um aluguel de R$ 5.000 com aniversário em outubro de 2026 e reajuste de 3,34% vai a R$ 5.167. Pela Lei 10.192/2001, o reajuste só pode ser anual.
Posso trocar o IGP-M pelo IPCA no contrato de aluguel?
Sim, se proprietário e inquilino concordarem: a Lei do Inquilinato (art. 18) permite mudar a cláusula de reajuste de comum acordo. Nenhuma das partes pode impor a troca sozinha. Sem acordo, depois de três anos de contrato ou do último acordo, qualquer uma delas pode pedir a revisão judicial do aluguel para o preço de mercado (art. 19).
Quanto rende um imóvel de R$ 1 milhão alugado?
Pela rentabilidade média do aluguel residencial em agosto de 2026, de 6,14% ao ano (FipeZAP), R$ 1 milhão rende perto de R$ 5.117 por mês antes de imposto e custos. Para quem paga IR de 27,5% sobre o aluguel, sobram cerca de R$ 3.710, ainda antes de vacância, manutenção e administração. No CDI de 13,65% ao ano (25/09/2026), o mesmo valor renderia R$ 9.112 líquidos por mês, com IR de 15% e se a taxa se mantivesse. O imóvel pode compensar parte da diferença com valorização, que não é garantida.
Fontes
- IGP-M sobe 1,57% em setembro · FGV IBRE, 29/09/2026
- IGP-M: press release de setembro de 2026 · FGV IBRE, 29/09/2026
- IGP-M: 2026 (evolução mensal e acumulado em 12 meses) · FGV, 28/05/2026
- Índice FipeZAP de Locação Residencial: informe de agosto de 2026 · Fipe, 14/09/2026
- Índice FipeZAP de Venda Residencial: informe de agosto de 2026 · Fipe, 31/08/2026
- SGS: série 4389 (CDI anualizado), consulta pelo código · Banco Central do Brasil, 25/09/2026
- Lei nº 8.245/1991 (Lei do Inquilinato), arts. 17 a 19 · Planalto, 18/10/1991
- Lei nº 10.192/2001, art. 2º, § 1º (periodicidade anual do reajuste) · Planalto, 14/02/2001
- Tributação de 2026 (tabela de incidência mensal do IRPF) · Receita Federal, 27/04/2026
- Lei nº 11.033/2004, art. 1º (IR sobre aplicações de renda fixa) · Planalto, 21/12/2004
Números e regras conferidos nas fontes acima na data de publicação ou de atualização do artigo. Como escrevemos.