A poupança perdeu R$ 66 bilhões em 2026. Quanto ela rende hoje?
Os saques superaram os depósitos em R$ 66,4 bilhões até setembro. Veja quanto R$ 100 mil renderam na poupança em 12 meses e a comparação com o CDI.
Menegon Family Office · MercadoMercadoPor Davi MenegonMenegon Family Office
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A poupança rendeu 8,31% nos 12 meses encerrados em 1º de outubro de 2026, sem Imposto de Renda (IR), segundo o Banco Central. Em dinheiro: R$ 100 mil parados nela renderam R$ 8.309.
No mesmo período, uma aplicação que pagasse 100% do CDI, a taxa de referência da renda fixa, teria rendido R$ 11.937, já descontado o imposto. A diferença foi de R$ 3.628 em um ano. É um retrato do passado, não uma promessa, e a aplicação que rendeu mais traz riscos, descritos abaixo.
De janeiro a setembro de 2026, os saques da poupança superaram os depósitos em R$ 66,4 bilhões (Banco Central). O dado não informa o motivo de cada saque. A conta acima mostra o incentivo.
O que o Banco Central mostrou em setembro
O Banco Central atualizou o Relatório de Poupança em 8 de outubro de 2026. Em setembro, os brasileiros depositaram R$ 338,99 bilhões na poupança e sacaram R$ 348,34 bilhões. Saíram R$ 9,35 bilhões a mais do que entraram, 37,7% menos que em setembro de 2025 (R$ 15,01 bilhões).
No ano, os saques superaram os depósitos em oito dos nove meses. A exceção foi maio, com entrada de R$ 2,60 bilhões. A maior saída foi em janeiro: R$ 23,51 bilhões.
O saldo total caiu de R$ 1,016 trilhão em agosto para R$ 1,013 trilhão em setembro, mesmo com R$ 6,53 bilhões de rendimentos creditados no mês.
A maior parte da saída de setembro, R$ 6,19 bilhões, veio do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), a poupança que financia a compra de imóveis. Os outros R$ 3,16 bilhões saíram da poupança rural. Em agosto de 2026, o financiamento imobiliário com recursos da poupança somou R$ 16,97 bilhões (Abecip).
A regra da poupança limita o rendimento
A Selic, a taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026 (Banco Central). A poupança não acompanha essa taxa. Pela Lei 12.703/2012, com a Selic acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial), um índice divulgado pelo Banco Central.
Na prática: um depósito feito num dia 8 rende 0,6218% entre 8 de outubro e 8 de novembro de 2026. São 0,5% fixos mais 0,1212% de TR.
O CDI é a taxa dos empréstimos de um dia entre bancos. Ele anda colado na Selic. Em 9 de outubro de 2026, estava em 13,65% ao ano, ou cerca de 1,07% ao mês antes do imposto.
A conta com R$ 100 mil, passo a passo
O exemplo usa R$ 100 mil parados de outubro de 2025 a setembro de 2026.
- Poupança. Rendeu 8,31% no período: R$ 8.309. Não há IR.
- Renda fixa a 100% do CDI, antes do imposto. O CDI acumulou 14,47%: R$ 14.469.
- Imposto. Em aplicações de 361 a 720 dias, o IR é de 17,5% sobre o rendimento (Lei 11.033/2004): R$ 2.532.
- Renda fixa, depois do imposto. R$ 14.469 − R$ 2.532 = R$ 11.937, ou 11,94%.
- Diferença. R$ 11.937 − R$ 8.309 = R$ 3.628 a cada R$ 100 mil. Em R$ 1 milhão, cerca de R$ 36,3 mil em um ano.
As taxas aparecem com duas casas, e os valores em reais estão arredondados. O CDI de cada mês entra com duas casas, como o Banco Central publica. Com a taxa de cada dia, a diferença final mudaria menos de R$ 5.
Em 12 meses, a poupança rendeu R$ 3.628 a menos a cada R$ 100 mil
Quanto R$ 100 mil renderam de outubro de 2025 a setembro de 2026 e quanto a inflação exigiu, em reais
| Poupança (sem imposto) | R$ 8.309 |
| Renda fixa a 100% do CDI, depois do imposto | R$ 11.937 |
| Necessário para repor a inflação de 4,58% | R$ 4.580 |
O que importa é o ganho acima da inflação. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial, acumulou 4,58% nos 12 meses até setembro de 2026 (IBGE). Só para manter o poder de compra, os R$ 100 mil precisavam render R$ 4.580.
- Poupança: 1,08309 ÷ 1,0458 − 1 = cerca de 3,57% acima da inflação.
- Renda fixa a 100% do CDI, depois do imposto: 1,11937 ÷ 1,0458 − 1 = cerca de 7,03%.
A poupança ganhou da inflação no período. Mas ganhou cerca de metade do que a outra aplicação entregou acima da inflação. Detalhamos a inflação do mês em IPCA de setembro.
O que a renda fixa cobra em troca
A comparação só é justa com os quatro riscos na mesa.
- Crédito. Quem aplica num título empresta dinheiro a quem o emitiu. Se o emissor quebrar, vale o limite do FGC (Fundo Garantidor de Créditos): até R$ 250 mil por CPF e por instituição ou conglomerado financeiro. A poupança tem a mesma cobertura. Nem toda aplicação tem: fundos e debêntures (dívida de empresas), por exemplo, ficam fora.
- Liquidez. Parte das aplicações só devolve o dinheiro no vencimento. Reserva de emergência pede resgate no mesmo dia.
- Imposto. O IR cai com o prazo: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima de 720 dias.
- Juros em queda. O CDI cai quando a Selic cai, e a vantagem diminui. A poupança continua com 0,5% ao mês mais a TR enquanto a Selic ficar acima de 8,5%. Mostramos o ritmo esperado dos cortes em Selic a 13,75%.
Nem toda aplicação paga 100% do CDI. Pela conta do período, a aplicação empataria com a poupança se rendesse 10,07% antes do imposto (8,31% ÷ 0,825). Isso é cerca de 70% do CDI de 14,47%. Abaixo disso, a poupança teria rendido mais.
Onde a poupança ainda faz sentido
A poupança é simples: não tem imposto nem prazo. O saque pode ser feito em qualquer dia, mas só o dinheiro que completa o mês, na data de aniversário do depósito, recebe o rendimento.
Em valores pequenos, a diferença em reais é pequena. Em R$ 5 mil, pela mesma conta, foi de cerca de R$ 181 em um ano. Em R$ 300 mil, de cerca de R$ 10.900. O tamanho do saldo muda a resposta.
Para quem quer viver de renda, a sobra não repõe a inflação
A régua ×200 da Menegon Family Office parte de uma premissa, que não é promessa: um patrimônio que rende perto de 1% ao mês. Metade vira renda, e a outra metade fica para repor a inflação.
Nos 12 meses até 1º de outubro de 2026, a poupança rendeu 8,31%. Quem retirou 0,5% ao mês ficou com uma sobra de cerca de 2% no ano (1,0831 ÷ 1,0617 − 1), menos da metade da inflação de 4,58%.
Nesse ritmo, quem vive só da poupança consome, aos poucos, o poder de compra do próprio patrimônio. É o retrato de um período, não uma previsão.
O que decidir agora
A decisão é de método, não de produto. Três perguntas organizam a conta.
- Quanto é reserva e quanto é patrimônio? A reserva cobre imprevistos e pede resgate rápido. O resto tem outro prazo e outra função.
- Quanto custa, em reais, o dinheiro parado? Refaça a conta acima com seu saldo. O percentual parece pequeno; o valor em reais, não.
- Quais riscos você aceita em troca? Confira o emissor, o limite do FGC, o prazo de resgate e o imposto antes de comparar taxas.
A Conta da Liberdade mostra quanto patrimônio a sua renda pede. O Diagnóstico Patrimonial, sem custo, coloca a reserva e o restante do patrimônio no mesmo mapa.
Perguntas frequentes
Quanto rende a poupança em 2026?
Com a Selic, a taxa básica de juros, acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial), sem Imposto de Renda. Um depósito feito num dia 8 rende 0,6218% entre 8 de outubro e 8 de novembro de 2026. Nos 12 meses até 1º de outubro de 2026, o rendimento acumulado foi de 8,31% (Banco Central).
Quanto rendem R$ 100 mil na poupança em um ano?
De outubro de 2025 a setembro de 2026, R$ 100 mil renderam R$ 8.309 na poupança, sem imposto. No mesmo período, uma aplicação de renda fixa que pagasse 100% do CDI, a taxa de referência desse mercado, teria rendido R$ 11.937, já descontado o Imposto de Renda de 17,5%. É um retrato do passado, não uma promessa, e a aplicação que acompanha o CDI traz riscos que a comparação precisa considerar.
Por que a poupança perdeu depósitos em 2026?
De janeiro a setembro de 2026, os saques superaram os depósitos em R$ 66,4 bilhões, segundo o Banco Central. O dado não informa o motivo de cada saque. A conta mostra o incentivo: a regra da poupança limita o rendimento, enquanto a renda fixa que acompanha a Selic (a taxa básica de juros, de 13,75% ao ano) pagou mais no período.
A poupança perde para a inflação?
Nos 12 meses até setembro de 2026, não. A poupança rendeu 8,31% e a inflação medida pelo IPCA foi de 4,58%, o que dá um ganho acima da inflação de cerca de 3,57%. A renda fixa que pagou 100% do CDI (a taxa de referência desse mercado), já descontado o imposto, ganhou cerca de 7,03% acima da inflação no mesmo período.
A poupança tem garantia do FGC?
Sim. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre a poupança até R$ 250 mil por CPF e por instituição ou conglomerado financeiro. O mesmo limite vale para outros depósitos e títulos bancários cobertos pelo fundo. Valores acima do limite ficam expostos ao risco da instituição.
Fontes
- Relatório de Poupança (planilha "Poupança Diária", atualizada em 08/10/2026) · Banco Central do Brasil, 08/10/2026
- SGS: séries 7828 (rendimento da poupança), 4391 (CDI no mês), 12 (CDI diário), 195 (poupança por data de aniversário), 226 (TR) e 432 (meta Selic), consulta pelo código · Banco Central do Brasil, 13/10/2026
- Lei nº 12.703/2012 (regra de rendimento da poupança) · Planalto, 13/10/2026
- Lei nº 8.177/1991, arts. 1º e 12 (TR, data de aniversário e crédito do rendimento da poupança) · Planalto, 13/10/2026
- Sobre a garantia FGC (limite de R$ 250 mil e produtos cobertos) · Fundo Garantidor de Créditos, 13/10/2026
- Lei nº 11.033/2004, art. 1º (IR sobre aplicações de renda fixa) · Planalto, 13/10/2026
- Inflação: IPCA de setembro de 2026 e acumulado em 12 meses · IBGE, 09/10/2026
- Informativo mensal: financiamento imobiliário com recursos da poupança em agosto de 2026 · Abecip, 30/09/2026
Números e regras conferidos nas fontes acima na data de publicação ou de atualização do artigo. Como escrevemos.